O Psicólogo e o Esporte Adaptado

Dentre outras atividades sociais possíveis à nossa atuação enquanto psicólogos junto às pessoas com deficiência, certamente uma das mais apaixonantes serão as atividades físicas, esportivas ou de lazer, tendo elas valores terapêuticos  e evidenciado benefícios, tanto na esfera física quanto psíquica. O engajamento, seja com objetivo de movimentar-se, jogar ou praticar um esporte ou atividade física regular, já agrega pessoas com deficiência visual, auditiva, mental ou física, proporcionando dentre todos os benefícios esportivos, também uma forma de inclusão social. Esses atletas são mundialmente conhecidos, tendo a oportunidade de testar seus limites e potencialidades, prevenir as enfermidades secundárias à sua deficiência.

  • Em termos físicos, permite-lhes ganhos de agilidade no manejo da cadeira de rodas, de equilíbrio dinâmico ou estático, de força muscular, de coordenação, coordenação motora, dissociação de cinturas, de resistência física; enfim, o favorecimento de sua readaptação ou adaptação física global, ativando a circulação, estimulando os músculos, evitando o acúmulo de gordura localizada através da queima da mesma no ciclo energético, equilibrando o eixo glandular do tálamo, hipotálamo, gônadas, supra-renal, melhorando a habilidade para coordenar movimentos, estando mis rápido, ágil e flexível.
  • Em termos psíquicos, permite-lhes ganhos variados, como a melhora da auto-estima na inclusão social, redução da agressividade, dentre outros benefícios.

No decorrer das últimas décadas, foram criadas ou adaptadas modalidades permitindo a participação em eventos competitivos de cada grupo. As modalidades esportivas são baseadas na classificação funcional (a CIF) e atualmente apresentam uma grande variedade de opções olímpicas: arco e flecha, atletismo, basquetebol, bocha, ciclismo, equitação, futebol, halterofilismo, iatismo, natação, rugby, tênis de campo, tênis de mesa, tiro, futebol de paralisados cerebrais, voleibol.

Ao escolher uma modalidade esportiva a ser praticada, vários fatores precisam ser levados em conta; principalmente a realidade dos tipos e graus de deficiência dessas pessoas, podendo ser poliomielite, lesados medulares, lesados cerebrais, amputados, deficiências mentais ou sensoriais dentre outras; sua preferência esportiva, sua condição sócio-econômica, suas limitações e potencialidades, facilidade nos meios de locomoção e transporte, existência e disponibilidade de materiais e locais adequados, do estímulo e respaldo familiar, de profissionais preparados para atendê-los, sempre considerando e respeitando as limitações e potencialidades individuais do praticante, visando englobar tais objetivos:

  • melhoria e desenvolvimento de auto-estima, auto-valorização e auto-imagem;
  • o estímulo à independência e autonomia;
  • a socialização com outros grupos;
  • a experiência com suas possibilidades, potencialidades e limitações;
  • a vivência de situações de sucesso e superação de situações de frustração;
  • a melhoria das condições organo-funcional (aparelhos circulatório, respiratório, digestivo, reprodutor e excretor);
  • melhoria na força e resistência muscular global;
  • ganho de velocidade;
  • aprimoramento da coordenação motora global e ritmo;
  • melhora no equilíbrio estático e dinâmico;
  • a possibilidade de acesso à prática do esporte como lazer, reabilitação e competição;
  • prevenção de deficiências secundárias;
  • promover e encorajar o movimento;
  • motivação para atividades futuras;
  • manutenção e promoção da saúde e condição física
  • desenvolvimento de habilidades motoras e funcionais para melhor realização das atividades de vida diária
  • desenvolvimento da capacidade de resolução de problemas.

Uma das tarefas principais para nós psicólogos será promover a auto-aceitação e confiança que permitirão à pessoa desenvolver habilidades e talentos que promovam a superação e compensam a sua deficiência, validando todas as tentativas.

O esporte adaptado às pessoas com deficiência em eventos no Brasil e no mundo vem sendo ampliada. Também podendo ser considerado como processo de reabilitação, tais atividades físicas e esportivas, competitivas ou não devem ser orientadas e estimuladas, visando assim possibilitar os benefícios que estas atividades podem oferecer, visando uma melhor qualidade de vida.

Alguns registros históricos do esporte adaptado

Tendo como função social e psíquica, jogos organizados sobre cadeira de rodas ficaram conhecidos após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos dos soldados que combateram nas frentes de batalha, voltaram aos seus países com seqüelas permanentes. Estabeleceu-se por meta proporcionar melhores condições de vida às pessoas com deficiências pós-guerra considerados heróis dignos de respeito da população por isto, bem como uma preocupação governamental. Surgiu uma situação emergencial de construção de centros de reabilitação e treinamento vocacional, em todo o mundo. Os programas desses diferentes centros perceberam que os esportes eram um importante auxiliar na reabilitação dos veteranos de guerra que adquiriram algum tipo de deficiência.

Como o esporte pode auxiliar na inclusão social?

O esporte devolve a pessoa com deficiência uma função e atividade na vida. Ela se descobre capaz de realizar coisas que nem imaginava e até de forma competitiva. A convivência coletiva com outros atletas, equipe e tantas outras pessoas fortalece ainda mais a sua autoestima. E nesse círculo, a inclusão social ocorre de maneira natural.

Como uma maior divulgação do esporte paralímpico pode ajudar a melhorar a vida de deficientes?

Mostrando a pessoa com deficiência como atleta competitivo, sem contudo apelar para o estigma de super herói.  Por muito tempo nem se falava em Paralimpiadas na mídia. Hoje toda a imprensa brasileira aborda o tema e até canais de televisão transmitem modalidades ao vivo. Isto graças aos resultados que as pessoas com deficiência foram conquistando no esporte e na vida. Mas todas as abordagens jornalísticas precisam ser isentas de tintas piegas, nem  coitadinhos, nem super heróis. Os paralimpicos são atletas preparados para dar o melhor de si, pessoas como as demais com erros e acertos.

Crê que a realização das Paraolimpíadas no Brasil poderão incentivar a superação e a inclusão?

Com certeza, isso se realizará de forma natural. Nas últimas edições os esportes paraolímpicos deram mais resultados ao Brasil do que os esportes olímpicos. As pessoas sem deficiência veem que esses atletas como capazes e, consequentemente, a sociedade rever de forma positiva os seus conceitos sobre deficiência. E as pessoas com deficiência podem se espelhar nelas, descobrir-se capaz de realizar seus sonhos e se superarem.

 

Por causa de uma asfixia durante o parto, o Professor Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programão Neurolinguística . Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de 65 títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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