As Relações Entre Alunos Com E Sem Deficiência

Fundamental para o sucesso da Escola Inclusiva não será apenas jogar essa responsabilidade nas costas dos professores. Todas as demais pessoas, diretores, inspetores, atendentes, o pessoal da cantina, da limpeza, da manutenção, os demais alunos, as famílias e comunidade em geral estejam envolvidas no mesmo objetivo. Professores com alunos em processo de inclusão, se necessário, poderão receber apoio e auxiliares na sala de aula. Esses educadores precisão receber treinamentos constantes. A escola poderá receber de tempos em tempos, a visita dos professores itinerantes e/ou outros especialistas no assunto para avaliar como anda o processo, passar instruções, tirar dúvidas, dar treinamentos. Enfim, o que quero dizer com tudo isso, é que o professor dentro de uma Sala de Aula Inclusiva é o personagem direto da Inclusão Escolar; mas por trás dele, deverá estar todo um arsenal de apoio material e humano. O trabalho em equipe entre os profissionais de uma escola pode contribuir, e muito, para uma convivência harmoniosa, construída coletivamente, que certamente irá refletir na relação educador/educando e no processo de ensino e de aprendizagem.

Neste contexto, as relações professores e alunos devem adquirir uma dimensão de transparência e respeito. Uma escola realmente plural. E os benefícios da educação inclusiva para todos os estudantes, segundo o Programa da ONU em Deficiências Severas, publicado em 1994, são:

Para os estudantes com deficiência:

  • Desenvolvem a apreciação pela diversidade individual;
  • Adquirem experiência direta com a variação natural das capacidades humanas;
  • Demonstram crescente responsabilidade e melhorada aprendizagem através do ensino entre os alunos;
  • Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas:
  • Frequentemente experimentam apoio acadêmico adicional da parte do pessoal da educação especial;
  • Podem participar como aprendizes sob condições instrucionais diversificadas (aprendizado cooperativo, uso de tecnologia baseada em centros de aprendizagem, etc.).

Para os estudantes sem deficiência:

  • Têm acesso a uma gama mais ampla de modelos de papel social, atividades de aprendizagem e redes sociais;
  • Desenvolvem, em escala crescente, o conforto, a confiança e a compreensão da diversidade individual deles e de outras pessoas;
  • Demonstram crescente responsabilidade e crescente aprendizagem através do ensino entre os alunos;
  • Estão mais bem preparados para a vida adulta em uma sociedade diversificada através da educação em salas de aula diversificadas;
  • Recebem apoio instrucional adicional da parte do pessoal da educação comum;
  • Beneficiam-se da aprendizagem sob condições instrucionais diversificadas.

Essa convivência abre a oportunidade para a escola trabalhar essas questões como um tema transversal, pois ela é local de dialogo, de aprender a conviver, vivendo a própria cultura e respeitando as diferentes formas de expressão cultural. O grande desafio da escola será investir na superação da discriminação e dar a conhecer a riqueza representada ela diversidade etnocultural que compõe o patrimônio sociocultural brasileiro, valorizando a trajetória particular dos grupos que compõem a sociedade. Numa livre citação, no geral, pensar em Inclusão Escolar, é levar em conta as palavras da pedagoga Maria Teresa Eglér Mantoan: “É a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós. O grande ganho, para todos, é viver a experiência da diferença. Se os estudantes não passam por isso na infância, mais tarde terão muita dificuldade de vencer os preconceitos”.

Foto: Google Imagem

Por causa de uma asfixia durante o parto, o Professor Emílio Figueira adquiriu paralisia cerebral em 1969, ficando com sequelas na fala e movimentos. Mas nunca se deixou abater por sua deficiência motora e vive intensamente inúmeras possibilidades. Nas artes, no jornalismo, autor de uma vasta produção científica, é psicólogo, psicanalista, teólogo e personal coach com formação em Programão Neurolinguística . Como escritor é dono de uma variada obra em livros impressos e digitais, passando de 65 títulos lançados. Ator e autor de teatro. Várias entrevistas na mídia e em jornais. Hoje com cinco graduações e dois doutorados, Figueira é professor e conferencista de pós-graduação, principalmente de temas que envolvem a Educação Inclusiva.

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